quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

 
...This is Christmas...

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Close your eyes....

http://youtu.be/LoEWmc60wJY Everyone should know all the reasons...

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

 


“…Isto é quase que doentio foi o que ela lhe disse, e ele riu-se para ela com aquele jeito de menino. É um amor doentio, que te atrai e que te afasta, um amor que te faz chorar e rir ao mesmo tempo, que te faz amar e odiar no mesmo instante. É um amor que nunca esqueces, um amor que te faz esquecer de ti, é um amor que te faz falta, que te sufoca, que te liberta, que te faz bem, que te faz mal. Um amor que fala pelo olhar, as palavras só o incomoda, um amor que deixa saudades, e que agora gostava de falar as palavras que tanto o atrapalhavam que tanto o deixavam sem graça. Palavras essas que ficam guardadas, para sempre, palavras que com um simples abraço transbordariam e ficarias a saber o que ela te queria dizer. Confuso, não?...”

terça-feira, 12 de novembro de 2013

http://youtu.be/MzCLLHscMOw

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

"um dia ao teu lado um minuto sem ti"

"Foda-se, que eu amo-te tanto. Que eu quero-te tanto, que eu preciso-te tanto. Foda-se, que é tão bom amar-te assim, como se me faltasse o ar quando me faltas e ainda me faltasse mais o ar quando te tenho.
Hoje quero esquecer as palavras bonitas, as palavras mansas, e ser selvagem, duro e forte como é selvagem, duro e forte o que te sinto. Hoje não quero a poesia – senão a p...oesia de te querer como um louco, de te desejar como à vida. Hoje amo-te em palavras grandes, em palavrões: foda-se, que te amo tanto, meu amor.
E o teu corpo. O cabrão do teu corpo, a perdição do teu corpo. Procuro-o como um dependente insaciável, como se não houvesse mais mundo para além da tua pele. E a verdade, a puta da verdade, é que não há. Há a curva dos teus ombros, o espaço vazio do teu colo quando não estou em ti, a boca gulosa do teu sorriso. E as tuas pernas a abrirem para mim como se todas as necessidades se concentrassem na necessidade de ti, como se o prazer fosse o dono do mundo. E é.
Quero que tudo o resto vá para o caralho se estiveres nos meus braços. Eis a mais cruel das sentenças, e que me perdoem os outros, que me perdoe até Deus e o seu pecado, que me perdoem os politicamente correctos e os coitadinhos que ficam pelo meio caminho. Que me perdoe toda a gente mas tudo o que quero é a certeza do teu corpo e a verdade da tua alma. É o que me basta para ter a certeza e a verdade de mim, deste mim que só tu trouxeste, deste mim que só contigo existe. Este mim que só quer a vida, a mais pura das vidas: amar até ao fim do dia, amar todos os dias, amar até que a noite chegue e amar até que a manhã volte a chegar. Amar-te para que nada me falte. Apetece-me em ti o fim do mundo. E chegas-me tu para nada me faltar. Chega-me que venhas, com esse teu passo de princesa e de demónio, esse teu olhar de “protege-me com carinho mas nunca deixes de me foder com força”, e me digas para te dar a ternura sem te tirar o suor, para te dar a cumplicidade sem te tirar o gemido, para te dar comunhão sem ter medo de te devorar, até à última gota, no chão. Chega-me que venhas e que te venhas, que me queiras e me precises. Chega-me que sejas esta espécie de tudo, esta espécie de absoluta senhora do que sou e sinto, do que sinto e penso. Chega-me que sejas.
Hoje precisava de te dizer que só os pequenos amores resistem com pequenas palavras. Com um simples “amo-te”, com um doce “és linda”. Só os pequenos amores resistem com pequenas palavras. O nosso é grande demais para sequer resistir com palavras como as outras, com palavras que já existem, com palavras que alguém um dia, por tanto serem ditas, colocou num dicionário. Não. O nosso exige palavras novas e grandes, como “amotecomócaralhomeudeus”, ou “amoteatéaofimdosossosfodase”, e tantas outras que todos os dias e todas as noites, na cama, no sofá, na rua e em todos os locais em que nos amamos (e nós amamo-nos em todos os lugares, graças a Deus), vamos inventando para dizermos um ao outro. É a nossa maneira de nos fazermos em palavras. É a nossa maneira, ainda assim incompleta, de nos dizermos inteiros ou nenhuns. E não somos nada saudáveis, nada recomendáveis, nada equilibrados. Queremos a total pertença ou preferimos a total ausência. Pode ser impraticável manter esta força, este tesão, esta intensidade, este “éagoraoununca”, este “oumedástudooubempodesdesandardaqui” para sempre. No fundo, tu sabes e eu sei que podemos muito bem ser impossíveis. Mas para que merda serve o que é possível?" Pedro Chagas Freitas


Bruto e duro mas de tal forma tão sincero e tão real que nos dá arrepios quando o lemos, quando nos revemos nestas palavras sem floreados. Palavras verdadeiras que nos trespassam e nos fazem pensar.....

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

"Comecei a amar-te no dia em que te abandonei.
Foram as palavras dele quando, dez anos depois, a encontrou por mero acaso no café. Ela sorriu, disse-lhe “olá, amo-te” mas os lábios só disseram “olá, está tudo bem?”. Ficaram horas a conversar, até que ele, nestas coisas era sempre ele a perder a vergonha por mais vergonha que tivesse naquilo que tinha feito (como é que fui deixar-te? como fui tão ...imbecil ao ponto de não perceber que estava em ti tudo o que queria?), lhe disse com toda a naturalidade do mundo que queria levá-la para a cama. Ela primeiro pensou em esbofeteá-lo e depois amá-lo a tarde toda e a noite toda, de seguida pensou em fugir dali e depois amá-lo a tarde toda e a noite toda, e finalmente resolveu não dizer nada e, lentamente, a esconder as lágrimas por dentro dos olhos, abandonou-o da mesma maneira que ele a abandonara uma década antes. Não era uma vingança nem sequer um castigo – apenas percebeu que estava tão perdida dentro do que sentia que tinha de ir para longe dali para ir para dentro de si. Pensou que provavelmente foi isso o que lhe aconteceu naquele dia longínquo em que a deixara, sozinha e esparramada de dor, no chão, para nunca mais voltar.
De tudo o que amo és tu o que mais me apaixona.
Foram as palavras dela, poucos minutos depois, quando ele, teimoso, a seguiu até ao fundo da rua em hora de ponta. Estavam frente a frente, toda a gente a passar sem perceber que ali se decidia o futuro do mundo. Ele disse: “casei-me com outra para te poder amar em paz”. Ela disse: “casei-me com outro para que houvesse um ruído que te calasse em mim”. Na verdade nem um nem outro disseram nada disso porque nem um nem outro eram poetas. Mas o que as palavras de um (“amo-te como um louco”) e as palavras de outro (“amo-te como uma louca”) disseram foi isso mesmo. A rua parou, então, diante do abraço deles. Não há memória de alguém, algum dia, ter considerado que aquele abraço foi um abraço de traição entre duas pessoas casadas. Toda a gente percebeu, logo ali, que a única traição seria não abraçar aquele abraço, por mais que houvesse documentos que comprovassem o contrário. Nunca casaram nem nunca se divorciaram. Não queriam perder tempo com papéis desnecessários. Os únicos papeis que assinaram, todos os dias, foram os dos poemas que, religiosamente, deixavam nos mais recônditos e secretos lugares da casa um para o outro. Não eram grandes obras e terminavam, sem qualquer variação possível, sempre da mesma forma: “amo-te”. Nunca receberam qualquer elogio da crítica literária, o que os deixava particularmente irritados. Souberam, anos mais tarde, que toda a sociedade os havia renegado. Chamavam-lhes, mesmo, os fugitivos. Eles, nesse ponto, concordaram em absoluto. Ambos sabiam que haviam fugido durante dez anos. E tinha sido tempo demasiado.
Sim, quero.
Foram as palavras dele quando ela, no registo civil como tinha de ser, lhe perguntou se queria nunca casar com ele."

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

"...Saudade...."

"Magoa-me a saudade
do sobressalto dos corpos
ferindo-se de ternura
dói-me a distante lembrança
do teu vestido
caindo aos nossos pés

Magoa-me a saudade
do tempo em que te habitava
como o sal ocupa o mar
como a luz recolhendo-se
nas pupilas desatentas

Seja eu de novo a tua sombra, teu desejo,
tua noite sem remédio
tua virtude, tua carência
eu
que longe de ti sou fraco
eu
que já fui água, seiva vegetal
sou agora gota trémula, raiz exposta

Traz
de novo, meu amor,
a transparência da água
dá ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu sono."
 Mia Couto